Em algumas filosofias africanas, o número oito (08) possui um significado cabalístico, simbolizando a dobra infinita, a realização e o altruísmo. Ele representa o princípio cósmico da vitalidade e oferece uma visão expandida que une o invisível e o concreto. O número oito também traz a ideia de uma transição, uma dobra, um renascimento. É por estas dobras da memória que a resistência de um movimento artístico forjado na performance negra surge através da preservação do tempo e da história, onde a negrura se revela como uma tecnologia ancestral, forjada a partir dos saberes de oralidade, escrita e magia daquilo que antes era invisível. Este espaço tempo faz emergir saberes corporificados que transcenderam o trauma da escravidão e do colonialismo no Brasil, transformando-os em expressões insubmissas de identidade, gênero e sexualidade que pelo desdobramento moldada pela civilização, desses gestus brotam a ordem e a disciplina dos corpos da diáspora, corpos que reconstroem sua narrativa e continuam a desafiar e transformar o mundo ao seu redor. Essa edição celebrativa fórum negro, comemora um caminho, um odu, o movimento de voltar a si. Por isso, as diretrizes de produção dessa edição resolveram promover uma ação formativa imersiva, visando desconstruir gestos coloniais, coletivos e individuais, centro e periferia, oriental e o ocidental, no “espiralar do tempo”, como nos ensina Lêda Maria Martins (2021).
O 8º FNAC – Fórum das Artes Cênicas, tem como grande objetivo criar um espaço cultural, artístico e educativo que através da vivência, promova a preservação da memória, a transmissão de saberes tradicionais pela via da oralidade, e a valorização das expressões artísticas contemporâneas ligadas à cultura afro-diaspórica e sua repercussão nas africanias presentes no Brasil diáspora. Com o tema proposto “Confluências e Encruzilhadas entre as Artes Cênicas e os Quilombos”, iremos buscar, ainda, enquanto comunidade e coletividade, as forças e os cuidados necessários hoje para a manutenção, fortalecimento e celebração das vidas e das artes negras, oferecendo pistas de como a ciência e os saberes populares e tradicionais negroreferenciados podem e devem confluir em uma encruzilhada de saberes que se apresente como uma forma outra de resistência, e lutas por reconhecimento, valorização e consolidação de artistas negros/as e suas produções nas artes das cenas.
Ao integrar práticas ancestrais com linguagens atuais, o evento busca fortalecer o diálogo entre o passado e o presente, destacando a importância da ancestralidade na construção de identidades contemporâneas. A programação oferecerá mesas de compartilhamento e debates entre a academia e comunidades tradicionais, lideranças quilombolas e trocas significativas entre docentes e discentes, incluindo estudantes, artistas e professores oriundos das Áfricas, reafirmando o compromisso com a inclusão, internacionalização e a diversidade na troca de saberes, promovendo a perenidade dessas tradições culturais no mundo contemporâneo.
DADOS GERAIS DO PROJETO
Proponente: Profª. Dra. Alexandra Gouvea Dumas
Produção Executiva: Prof. Me. e Doutorando PPGAC, Erick Santos; Mestrando PPGAC/UFBA, Diego Alcantara.
Equipe Organizacional e Curadoria: Profª Dra. e Pós-doutoranda PPGAC/UFBA, Alissan Maria Okundewá; Profª Dra. Amélia Vitória Conrado PPGDAN; Me. e Doutoranda PPGAC Marcinha Baobá; Me. e Doutorando PPGAC Roi Rogeres Filho; Mestrando PPGAC Diego Araúja; Mestrando PPGDAN Eduardo Almeida; Graduando em Artes Cênicas, Filipe Tuxá. (A equipe será ampliada através de chamada pública).
Grupo: ARTES CÊNICAS E UNIVERSIDADE: (re)pensamento curricular de intervenções antirracistas
Período Geral do Seminário: 18, 19 e 20 de março de 2026
Público Alvo: Discentes, docentes e técnicos, graduação e pós graduação da UFBA, artistas independentes, pesquisadores, intelectuais, organizações civis, movimentos sociais, quilombolas e demais Povos de Comunidades Tradicionais (PCTs), mestres de tradição, educadores de comunidade, pesquisadores independentes, e demais pessoas interessadas em geral.
Palavras-chave: FNAC, Quilombo, Teatro Negro, Epistemologias Afrorreferenciadas, Confluências, Encruzilhadas.
E-mail de contatos:
ei.santos.rck@gmail.com
canalnegrura@gmail.com
Site para inscrições:
https://www.even3.com.br/8-forum-negro-de-arte-e-cultura-698505
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