Nota de pesar e homenagem da ABRACE a Zélia Amador de Deus

Foto: Ascom/UFPA

A Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas – ABRACE vem a público manifestar suas homenagens à Zélia Amador de Deus (1950-2026), que faleceu no último dia 8 de setembro de 2026, em Belém do Pará.

Atriz, diretora, professora, pesquisadora, intelectual e ativista do movimento negro brasileiro, seu trabalho tem reconhecimento nacional e internacional na luta antirracista. Graduada em Letras (UFPA-1974), mestra em Estudos Literários (UFMG-2001), doutora em Ciências Sociais (UFPA-2008), desde 1978 atuou como professora da Universidade Federal do Pará, onde foi diretora do Centro de Letras e Artes da UFPA (1989-1993), Vice-Reitora a UFPA (1993-1997), diretora do Núcleo de Arte da UFPA (1997-2001), atual Instituto de Ciências da Arte, onde criou, juntamente com parceiras(os), o projeto Auto do Círio, hoje reconhecido como patrimônio cultural e imaterial do Pará. Em 2020 tornou-se Professora Emérita da UFPA.

Ativista do movimento Negro, foi cofundadora do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará – CEDENPA – (1980) e membro do Grupo Interministerial de Valorização da População Negra -GTI – (1996 a 2001). Autora de uma extensa obra, em 2019 publica o livro “Ananse tecendo teias na diáspora: uma narrativa de resistência e luta das herdeiras e dos herdeiros de Ananse” (Secult-Pará); em 2020 a obra “Caminhos trilhados na luta antirracista” (Editora Autêntica).

Sua relação com as artes cênicas passa também por sua formação como atriz na Escola de Teatro e Dança da UFPA – ETDUFPA (1971-1973), participando de importantes espetáculos apresentados em Belém e nos festivais amadores realizados pelo país, como: “As Troianas”, versão de Jean Paul Sartre da tragédia grega de Eurípides (1971); “O Coronel de Macambira” de Joaquim Cardoso (1972); “A Incelença” de Luís Marinho (1973/4), todos com direção de Cláudio Barradas.

Em 1976 participou da fundação do grupo Teatro Cena Aberta com outros importantes nomes da cena paraense, como Margaret Refkalefsky, Luís Otávio Barata e Walter Bandeira, produzindo importantes espetáculos para a história do teatro brasileiro: Quarto de Empregada (1976), Maria Minhoca (1977), Torturas de Um Coração (1977), O Inglês Maquinista (1977), Angélica (1977), Jorge Dandin (1978), A lenda do vale da lua (1978), A paixão de Ajuricaba (1978), A chegada de Lampião no inferno (1978), Morte e Vida Severina (1978), A vingança do carapanã atômico (1979), Cena Aberta Conta Zumbi (1979), O gato malhado e a andorinha sinhá (1979), Eles não usam black-tie (1979), O Sapo Tarô Beque (1980), O Palácio dos Urubus (1983), Theastai, Theatron (1983), Trontea Staitea (1984), Aquém do Eu, Além do Outro (1984), Quintino: o outro lado da sacanagem (1985), Um Baile em Hiroshima logo após a bomba (1986), Vejo um vulto na janela, me acudam que sou donzela (1988), Genet: o palhaço de Deus (1988), Posição Pela Carne (1989), Em Nome do Amor (1990).

Em 2023, foi uma das conferencistas da mesa de abertura do XII Congresso da Abrace, quando estivemos em Belém. Ainda no congresso a ABRACE tivemos a honra de homenageá-la, com comenda “Armindo Bião Artes Cênicas Brasileiras”por seu trabalho dedicado à produção e difusão da cultura das artes da cena nacionais, e ainda pelo ativismo histórico no movimento negro brasileiro e percursora na luta pela implantação do sistema de cotas nas universidades públicas, e fundadora do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (CEDEMPA).

Nesse momento, manifestamos nossos profundos sentimentos aos familiares, aos artistas de Belém/PA, aos servidores da UFPA e comunidade em geral. As artes cênicas brasileira agradecem por todo conhecimento compartilhado nas salas de aula da UFPA e por meio dos espetáculos encenados durante sua vida dedicada às artes cênicas.

Zélia Amador,

Evoé!

Fonte: José Denis de Oliveira Bezerra (UFPA)

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