CHAMADA V!31 | Inteligência Artificial: estado das coisas
A trigésima primeira edição da revista V!RUS tem como tema a Inteligência Artificial enquanto fenômeno técnico, político, cultural e epistêmico. Mais do que uma miríade de programas computacionais, dispositivos e algoritmos, a IA configura, hoje, um campo de disputa: sobre quem produz conhecimento, quem controla infraestruturas, quais valores são codificados em sistemas e como a vida cotidiana vê-se cada vez mais estruturada por processos, em geral, opacos de automação e classificação.
A edição pretende reunir pesquisas atuais sobre o tema, em diversas áreas do conhecimento, afins aos estudos da Arquitetura, da cidade e da sociedade, buscando registrar um “estado das coisas”: examinando criticamente as condições de produção, distribuição e apropriação da IA no mundo contemporâneo, com atenção especial às assimetrias entre Norte e Sul Global, às dimensões decoloniais, às tensões entre otimização, dataficação e subjetividades, entre eficiência técnica, processos de criação e ética.
Serão aceitos artigos científicos e ensaios críticos inéditos que articulem, em sua temática, no resumo e no corpo do texto, reflexões críticas sobre o universo teórico-conceitual e prático atual que envolve Inteligência Artificial. Interessam-nos análises fundamentadas, oriundas de múltiplos campos disciplinares, que, superando uma perspectiva tecnicista, assumam a IA como objeto situado em sistemas complexos variados, nas instâncias de ensino acadêmico, pesquisa científica, extensão universitária, prática profissional e empresarial e do poder público.
Buscamos trabalhos que abordem o assunto de forma crítica e fundamentada, a partir dos vários campos disciplinares, em especial arquitetura, urbanismo, artes, cinema, comunicação, design, direito, psicologia, ciências sociais, ambientais e políticas, educação, pedagogia, estudos culturais, história, geografia, entre outros, tratando particularmente – mas não apenas – dos seguintes tópicos:
- Conceitos e referências: múltiplas compreensões de Inteligência Artificial; áreas e subáreas do conhecimento, fundamentos, epistemologias, contraposições;
- IA e metateorias: pensamento sistêmico, complexidade, cibernética, conversação, ecologia urbana, teoria ator-rede;
- Pesquisa científica sobre e com IA no Sul global: referências brasileiras, latino-americanas, do Norte e Sul global; revisão de conceitos e categorias analíticas, objetivos e apropriações, métodos e procedimentos; perspectiva crítica da produção científica atual; redes de pesquisa e temáticas específicas;
- Tensionamentos internacionais: a disputa por hegemonia tecnológica e a (nova) ordem mundial, frente às noções de multilateralismo, globalização, internacionalização, imperialismo e mundialização; colonialismo de dados, dominação algorítmica e extrativismo de dados; universalismo de dados; insurgências, desenvolvimentos open-source e modos de construção coletiva;
- IA e a perspectiva decolonial: ecologia de saberes, as noções de cosmotécnica e tecnodiversidade; modernidade/colonialidade no sistema-mundo; universo, pluriverso e metaverso; ações contra-hegemônicas;
- IA e as populações originárias e tradicionais: extrativismo em terras indígenas, dataficação de culturas indígenas; marginalização de idiomas minoritários e de comunidades historicamente subalternizadas; cosmogonias, ambiente e arquiteturas; estudos linguísticos auxiliados por IA;
- Ética e IA: responsabilidades em formulações, financiamentos, usos e difusão; direitos autorais, propriedade intelectual e legislação; normas e políticas públicas;
- Boas práticas: contribuições e potencialidades do uso de Inteligência Artificial nos diversos campos do conhecimento; aplicações de IA e suas tecnologias; explorações acadêmicas e profissionais; Internet das coisas e blockchain; tecnologias de propósito geral;
- IA e trabalho: profissões emergentes, desemprego técnico e requalificação de postos existentes; postos precários: extração de recursos naturais, treinamento de modelos, trabalhadores plataformizados; aspectos legais; IA e a divisão internacional do trabalho;
- Questões ambientais e IA: mudanças climáticas, datacenters, uso de recursos naturais, contradições entre preservação ambiental e interesses internacionais, nacionais e de grupos; distribuição desigual de riscos e racismo ambiental;
- IA e infraestruturas: redes, capacidade de processamento, 6G, 7G; backbones, cabeamentos; responsabilidade estatal e de concessões privadas;
- IA, historização e historicização: análise crítica de sua constituição como campo técnico-científico; narrativas e disputas: Norte e Sul global, América Latina, Brasil;
- IA, o urbano e urbanidades: smart cities; planejamento e urban design; fluxos e gestão de dados geoespaciais urbanos; segurança, vigilância, proteção de dados pessoais; desigualdades regionais e intra-urbanas; ecossistemas digitais e novos dispositivos;
- IA e participação cidadã: processos participativos de tomada de decisão, projeto, construção e gestão da cidade auxiliados por IA; ações comunitárias e de coletivos; plataformas digitais online como lócus de participação; políticas públicas top-down e bottom-up; transparência e autonomia;
- IA e processos criativos: reflexões, articulações, explorações nas artes, cinema, arquitetura e urbanismo, design e áreas afins; IA e agência criativa; IA como lócus de produção estética nos diferentes campos do conhecimento; produção de texto e imagens e a sua superação;
- Processos digitais de projeto de arquitetura, urbanismo e design mediados por IA; programas computacionais e dispositivos; articulações com outros meios digitais;
- IA, automação, automatização e otimização de processos: desenvolvimentos, metodologias e reflexões críticas; implicações éticas, sociais, econômicas e laborais da otimização contínua; assimetrias no acesso e domínio das tecnologias de automação; robótica e modelos de linguagem;
- IA, educação e processos de ensino-aprendizagem: transformações nas relações didático-pedagógicas, mediação docente e autonomia discente; transdisciplinaridade e interlocução acadêmica; políticas públicas de Educação; metodologias, experiências e relatos críticos; ensino-aprendizagem de produção bibliográfica, literária, imagética e de peças técnicas; processos cognitivos;
- IA, processos de subjetivação e interlocução afetiva: aplicativos e interfaces conversacionais como espaços de busca, elaboração e complexificação subjetiva; interlocução como promessa de escuta isenta de julgamentos; questões de vulnerabilidade, dependência e ilusão de alteridade; processos de subjetivação e produção de dados;
- IA e tecnopolíticas: o domínio das big techs e soberania digital; a dataficação da vida, pervasividade, redes sociais; programas e recursos computacionais como meios de insurgência; aspectos ideológicos de software desenvolvido no Norte e sua utilização no Sul; assimetrias regionais na capacidade de mineração e processamento de dados; opacidade dos sistemas de IA; não-neutralidade política das tecnologias de IA e digitais;
- IA e minorias sociais: discriminação e reprodução de estruturas racistas em sistemas de IA; feminismo de dados; invisibilização de corpos, narrativas e conhecimentos subalternizados em grandes modelos de linguagem; interseccionalidades entre raça, gênero, classe social e acesso tecnológico; questões geracionais de letramento digital, exclusão e alienação; controle biopolítico e racialização algorítmica;
- IA, desinformação e fake news: disputas por hegemonia narrativa e controle semântico; geração, difusão e amplificação de discursos de ódio; deepfakes, manipulação de voz e imagem; erosão de critérios de verificabilidade e autenticidade; ações coordenadas de desinformação e campanhas de influência política; responsabilidades de plataformas, produtores, consumidores e replicadores de conteúdo;
- IA, patrimônio e memória: conservação, recuperação e preservação do patrimônio; reconstituições históricas; digitalização e curadoria de acervos históricos; IA e educação patrimonial; apagamentos e invisibilização de heranças culturais; mediação e alteração de registros históricos e construção de novas memórias;
- IA e o audiovisual como lócus de mediação: transformações nas práticas de produção, realização, edição, exibição, distribuição e circulação de imagens e sons; construção de roteiros auxiliada por IA; tensionamento da noção de documentário pelo uso de imagens geradas para representar aquilo que não foi filmado; direitos autorais e direitos de imagem e som.
Além de textos e imagens estáticas, são bem-vindos ensaios fotográficos, vídeos, filmes curtos, peças sonoras, musicais e depoimentos em arquivos de áudio, projetos de instalações artísticas e de arquitetura, urbanismo e design acompanhados de reflexão crítica e fundamentada teoricamente sobre sua concepção, considerando o interesse da V!RUS e do Nomads.usp em explorar múltiplos usos de meios digitais para divulgação científica via Internet.
As contribuições serão recebidas EM PORTUGUÊS, INGLÊS OU ESPANHOL através do website da revista, entre os dias 10 de maio e 10 de agosto de 2026, segundo as diretrizes para autores, disponíveis na página de submissões (https://revistas.usp.br/virus/about/submissions).
DATAS IMPORTANTES
10 de maio de 2026: Início do recebimento de submissões
10 de agosto de 2026: Prazo final para recebimento de submissões
A partir de 5 de outubro: Informação aos autores sobre aceite e solicitação de adequações
1 de novembro: Data limite para recebimento das adequações dos autores
22 de novembro: Data limite para recebimento da versão traduzida do artigo
Dezembro de 2026: Lançamento da V!RUS 31
